Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Delmiro Gouveia: COHAB VELHA.

Uma fotografia obtida no álbum do Orkut do Cláudio Cardoso de Melo, meu colega de GVM e também dos tempos que trabalhei na Divisão de Confecções da Agro Fabril Mercantil.

A imagem é de um grupo de amigos, talvez num domingo à tarde, num convescote bebericando e petiscando algumas coisas.

O que chama atenção, para mim, nesta fotografia, são as casas da primeira COHAB de Delmiro Gouveia, ainda num estágio em que não haviam sido substancialmente modificadas. No inicio todas eram branquinhas, com uma pequena varanda na parte da frente, sala, cozinha, dois quartos e um banheiro social, e também todas tinham um pequeno quintal ladeado por uma cerca simples de madeira.

Esta COHAB foi construída nos de 1969/70. E da época de sua construção lembro-me dos altos montes de areia, que enquanto construíam, a molecada aproveitava para brincar deslizando-os por cima deles. Assim como também era bastante divertido brincar de esconde-esconde ou cowboy. Quando falo em molecada, eram os meninos que moravam ali pelos lados da Rua da Matriz (meu caso) e das ruas adjacentes: Correios e Palmeirinha. O Ailton Moreira, que de vez em quando comenta aqui no blog, era um deles. Não sei se ele se lembra disto.

Voltando à fotografia. Creio que se trata da última Rua da COHAB. Pois o grupo de pessoas aparece sentado ao fundo das casas e ao longe se vê também parte das simples residências que formavam a rua que leva até o cemitério novo. Não reconheço todas as pessoas que aparecem. Mas alguns eu consegui identificar:

O segundo casal sentado à esquerda é o Cláudio e a Socorro e no lado direito temos o Bira (que está segurando um copo) e logo atrás (de roupa branca) sua esposa Elza. O Bira também foi meu colega na primeira seção que trabalhei na fábrica: a Expedição da Camisaria. Eu o conheço desde maio de 1976. E acho que não o vejo desde 1981. Creio que ainda resida na nossa Macondo.

Deixo agora com vocês algumas perguntas:

Quais suas lembranças da antiga COHAB? Consegue identificar as demais pessoas que aparecem nesta imagem? Quantas casas foram construídas inicialmente? Lembra de algumas pessoas que moraram por lá? Quem eram estas pessoas? O que havia exatamente no centro da COHAB? E neste grupo de pessoas aí que estavam comemorando?


Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Delmiro Gouveia; Antigos Desfiles de 7 de Setembro(1976?)

Nas versões anteriores do blog uma vez ou outra aparece aquelas fotografias que quase todos guardam nas gavetas: Desfiles de 7 de setembro.

E que atire a primeira pedra que não as tiver. E hoje o nosso colaborador Rosival Souza nos envia algumas das suas.

Talvez o ano de desfile seja também 1976. E era um dia chuvoso. Lembro-me que no último ano que desfilei foi justamente em 76. Ainda fazia a sétima série à noite no GVM. E o feriado caiu num domingo. E neste bendito dia choveu horrores. Subir a Rua do ABC com roupas ensopadas e sapatos encharcados foi lasca. E mais lasca ainda era que eu trabalhava o dia inteiro na fábrica e tinha a obrigação de desfilar. É isto mesmo: obrigatório. Não era opção coisa nenhuma. E se o cabra não fizesse e no dia seguinte não apresentasse justificativa era chamado na secretaria pela Valdinha ou Ieda(falecida) e o Dr. Watson ou Seu Monteiro aplicavam a suspensão de três dias úteis. Assim como também era obrigatório na primeira semana de setembro, comparecer todos os dias pela manhã no pátio do Ginásio para cantar o hino e hastear a bandeira. Eram anos de “Brasil Grande” e ufanista imposto pelos tacões das botas dos militares.

Mas na realidade não sabíamos de nada do que rolava nos porões do regime. No fundo tínhamos até certo orgulho besta de desfilarmos de roupa de gala completa: camisa branca de mangas compridas, calça azul-marinho, gravata também azul-marinho, sapatos pretos e com um par de luvas brancas dependuradas na cintura.

E aí quais as suas lembranças destes dias do passado? E será que alguém conseguirá identificar algumas das pessoas que aparecem nas imagens? (basta clicar em cima para ampliar o tamanho)

Agora é com vocês.




Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Um dia de muita chuva em Delmiro Gouveia(anos 70)

Nos últimos dias tem sido de intensas chuvas na região nordeste como um todo. É um fenômeno meteorológico um tanto raro. Mas vez por outra isto acontece. Nos meus tempos na Macondo Sertaneja era mais comum passar anos com pouquíssima precipitação pluviométrica. Lembro-me claramente que em 1970, meu primo Rubinho me levou até a Pedra Velha, sentado no bagageiro da bicicleta e isto por dentro do Açude Grande que estava totalmente ressequido. No Açude Pequeno, ainda, havia água. Pouca, mas havia.

Em contrapartida, apenas uma vez, nos meus doze anos que morei em DG(junho de 69 até fev/81), vi chuvas com forte intensidade ao ponto de fazer os açudes “sangrarem” e “esborrarem” para os lados. E as lembranças deste dia, do qual não sei precisar o ano, são agora trazidas à tona pelas imagens enviadas pelo Rosival. Souza. Talvez, também, seja de 1976. Os leitores podem divergir e apontarem outra.

Lembro do Bar de Maninha isolado pelas águas. Lembro da pequena ponte que havia após a padaria de Antonio Ioiô ser coberta totalmente pela inundação. Lembro do pequeno barraco misto de residência/oficina se desconjuntando todo com a força da correnteza e os gritos de ôôôô do povo vendo aqui. E lembro-me da minha Tia Tonha que ainda mora na D.Pedro II, assustada com o seu quintal cheio de água. O campinho de futebol que havia entre a estação de trem e a parte posterior da referida rua também ficaram totalmente cobertos por aquele mundaréu d água que sobrevinha dos laterais do Açude Pequeno, e que um pouco antes haviam derrubado uma parte do muro da fábrica.

Será que os leitores espiando as imagens que nos chegam após uns trinta e tantos anos conseguem lembrar-se de algum outro fato deste dia?

Vamos às imagens, lembrando que para melhor visualição basta clicar em cima das mesmas.

Agora é com vocês.







Sábado, 30 de Maio de 2009

Delmiro Gouveia: Nos idos de 76/77

Complementando o post anterior: mais registros da história delmirense enviados pelo Rosival Souza. Vou deixar propositalmente as fotos sem legendas para que algum leitor tente identificar as pessoas.

Aqui ao contrário o post anterior aparece o que seria a "elite política" de então. Onde apesar da ditadura que grassava pelo país em nossa Macondo, ainda eram os tempos onde os grupos adversários eram conhecidos como "Caras Brancas" aqueles que faziam parte da Arena que era partido governista e no outro lado fazendo oposição tínhamos os "Caras Pretas" que eram filiados ao MDB. No entanto não lembro de nenhum episódio violento ou disputa mais acirrada. Imperava um certo respeito e cordialidade.

Voltando as fotografias enviadas pelo nosso colaborador, parece-me que este dia nos anos 70(talvez 76 ou 77) foi um dia de bastante movimentado entre eventos comemorartivos e algumas inaugurações.

Alguém sabe quais foram?


Para melhor visualização das fotografias basta clicar em cima que elas abrem em tamanho maior











Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Delmiro Gouveia: 1976 um ano que ainda permanece na memória

Postamos hoje diversas fotografias do ano de 1976. O material nos foi enviado pelo Rosival Souza.

Algumas das fotografias registram atos oficiais ou comemoração das festividades de sete de setembro, e nelas aparecem os políticos de então: Rosalvo Souza(prefeito) José Bandeira(também prefeito e posteriormente deputado e secretário de estado) e o Suruagy(governador) entre outros.

Ao se deparar com estas fotografias procuro sempre olhar os detalhes e atentar para as outras pessoas que não exerciam cargos públicos, mas eram bastante conhecidas (algumas ainda o são) na cidade. Podemos citar: a Hermância, que participava dos antigos festivais da canção e os programas de auditório no Cine Pedra e que além de nossa colega de turma no GVM era filha do nosso saudoso professor de teatro Joval. Assim como podemos ver o Sr. Enoque, que com o seu espírito solidário e humano ao extremo era bastante conhecido por acompanhar todos os funerais que aconteciam na cidade.

Também procuro perscrutar os detalhes das ruas, arquitetura das casas e, sobretudo o que era moda então: corte dos cabelos, vestuário...

No quesito arquitetura é bastante interessante encontrarmos uma fotografia onde aparece ao fundo a famosa sorveteria do Seu Conde, que ficava na esquina da Rua do ABC, e ela está exatamente como ainda a tenho em minhas longínquas lembranças.

Não sei se todos os leitores (cada vez mais raros) têm o mesmo cuidado em olhar minuciosamente as velhas imagens do passado delmirense. Espero que os que façam descubram outras nuances, e se possível identifiquem as pessoas que por lá aparecem. E melhor: que nos conte alguma história ou fato pitoresco sobre tais personagens.

Agora é com vocês.



O prédio ao fundo é antiga sorveteria do seu Conde.(para ampliar as fotos basta clicar em cima das mesmas)
Hermância(antiga colega do GVM e que cantava e encantava nos Festivais da Canção e nos programas de auditório no antigo Cine Pedra é a primeira à direita. Ao seu lado o Sr. Enoque. E os outros quem são?
Rosalvo Souza (então prefeito) ao lado de José Bandeira(dep. est) estão hasteando as bandeiras. Ao fundo aparece o prédio dos correios. Quem está em sua janela frontal? E quem nunca discutiu futebol e outros assuntos nas calçada desta edificação?
E aqui neste palanque em frente à Prefeitura quem são as pessoas? O barbudo seria o Adeildo(?) nosso prof. de matemática no GVM? E as outras pessoas quem são?
Aqui aparecem o Rubão Vilar(senador e depois o primeiro gov. de Roraima)m Suaruagy(gov. de então)Rosalvo e Bandeira. E os outros? Quem o senhor de óculos escuros?
Figueiredo(o último dos generais-presidentes da ditadura) visitando à cidade.
Começando pela direita temos: Watson(diretor do GVM-falecido), Alfredisio Lisboa, Sgto Alceu(prof. de ed. física e delegado de polícia-carinhosamente chamado pelos alunos de "seu delega) e os demais ficam por conta de vocês.
Rosalvo, Dr. Serpa(??) e Suruagy. E as demais pessoas quem são?


Que evento era este? Uma inauguração? De que? E quem são algumas destas pessoas?

Sábado, 16 de Maio de 2009

Pátio da Igreja: Nova Praça em Movimento

E ali onde a antiga igreja era cercada por um terreno poeirento que a meninada transformava num campo de peladas, e onde também havia restos de um antigo ringue de patinação dos tempos do pioneiro, eis que surge uma nova praça.

Já falamos sobre a mesma em posts anteriores. E agora o Eduardo Menezes nos envia filmetes e fotografias.

A curiosidade que tenho é: A festa da Padroeira será realizada ainda neste local? Pois no antigo terreno era fácil montar parque de diversões e as dezenas de barracas de bebidas e comidas. Além de palco para shows. E agora?















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Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Praça Delmiro Gouveia: Imagens do passado.

Mais uma vez trazemos imagens e um pouco sobre a história da velha praça. Vamos ao texto e imagens enviadas pelo nosso colaborador Eduardo Menezes.
PRAÇA DELMIRO GOUVEIA
Texto de Eduardo Menezes

Foi construída pelo prefeito Joaquim Correia e Silva, conhecido por Quinzinho, que teve seu mandato de 1956 a 1961. Tinha duas fontes e no centro ficava o busto de Delmiro Gouveia. Na primeira reforma feita pelo prefeito José Serpa de Menezes no seu segundo mandato que durou de 1983 a 1988, Foram aterradas as fontes e o busto de Delmiro foi tirado do centro e colocado atrás do Abrigo de Ciço Gobeu. Em 1997, depois que Luiz Carlos Costa, conhecido por Lula Cabeleira, assumiu a prefeitura houve uma grande mudança no visual da cidade, modificou o prédio da prefeitura (que foi construído pele ex-prefeito José Serpa de Menezes), ruas, avenidas e praças, entre elas a Praça Delmiro Gouveia que mudou de nome para Praça Ulisses Luna e teve o busto do fundador da cidade retirado e transferido para a Praça do Cruzeiro, local em que se deu a sua morte, que também mudou de nome para Praça Delmiro Gouveia

1980: O lendário Zito Menezes(pai dos rebentos Ricardo e Eduardo)
1980: Ricardo Menezes de cabeça raspada por ter passado no vestibular e o famoso Geraldo "Bocão"

1974:Nechico e a namorada. Quem lembra o nome da mesma? Há um rapaz sentado e também não(ainda)identificado)

1973: Eduardo, Macarrão e Ricardo. O Ricardo tá correndo para não sair na foto. Ao fundo a Casa de Saúde, que ficava em frente da fábrica. E onde certa vez, tratei de um ferimento no meu pé. Não sei exatamente o que era, mas chamavam de "sete couros". Segundo Zito(meu pai) a Casa de Saúde original ficava ao lado da fábrica, mas se juntaram após uma ampliação.

1973: Macarrão, Ricardo e Eduardo.

1974: Eduardo Menezes

Eduardo novamente em data não informada(anos 70)

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Delmiro Gouveia em Placas

A história de uma cidade também é feita através de suas placas. Elas, além de sinalizaram e informarem algo, também são formas encontradas para homenagear pessoas. As placas ainda podem anunciar alguma coisa interessante ou trazerem em seu bojo, de forma subliminar ou explicitamente descarada, algum tipo de marketing pessoal ou institucional.

E assim hoje numa dupla postagem, trazemos o material enviado pelo Marcos Lima enviando as placas das ruas delmirenses, sendo que nelas podemos tentar descobrir e falarmos um pouco sobre os homenageados, já que algumas delas trazem o nome oficial da pessoa. Lembre-se que geralmente elas eram conhecidas de outras formas. Em algumas destas placas também há um patrocinador, quase sempre uma casa comercial. Creio que isto pode também ensejar alguns comentários.

E o Leo Oliveira nos traz a placa indicativa de algo que quando efetivamente instalado poderá levar a cidade a outro patamar de desenvolvimento.

Vamos aos emails dos nossos colaboradores e em seguida e com vocês.

Caro Cesar,

Estou enviando essa foto para debatermos sobre o "desenvolvimento de Delmiro Gouveia" e algo que vai impulsionar bastante para que isso ocorra é o campus do sertão que esta sendo instalado em Delmiro no qual O Campus do Sertão realizará vestibular, já no final desse ano, para os cursos Engenharia Civil, Engenharia Produção Industrial, Pedagogia, Economia e Ciências Contábeis, além das licenciaturas em História, Geografia e Letras. As aulas já devem iniciar no primeiro semestre de 2010.

Um abração

Leo

Olá César,
Estive em Delmiro Gouveia e fiz essas imagens para você usar no blog da maneira que você achar melhor,

Abraços.

Marcos Lima















Dois dias após eu ter postado a placa eis que chega um complemento interessante enviado pelo David Roberto:


Olá, César,
o jazigo do falecido Reginaldo Souza Bandeira está localziado no Cemitério Velho.

Ele era primo de minha mãe. A foto anexa é de minha autoria.

Sds,

David

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Ruas Delmirenses: Lembranças da 13 de Maio

Dentro da linha resgate dos textos anteriormente postadostrazemos hoje um sobre a rua 13 de Maio, que foi postado originalmente em 28 de abril de 2006. Para darmos uma nova roupagem foram acrescidas novas imagens e aproveito para acrescentar mais algumas informações sobre os antigos moradores da rua. O crédito das mesmas é de: Rouse Vilar, Paulo do Cruz e do Eduardo Menezes.

LEMBRANÇAS DA RUA 13 DE MAIO.
Texto de César Tavares

Rua 13 de Maio a única da Vila Operária a ter casas dos dois lados. Caminho para o Hospital Antenor Serpa e a Subestação da CEAL. Em uma de suas esquinas o movimento social era grande. De um lado o Clube Vicente de Menezes onde convergia boa parte dos rapazes e moças para os seus famosos saraus ou bailes.



Nos intervalos das festas, no meio da madrugada bastava atravessar a rua e ir fazer uma boquinha no famoso Bar do Lula Braga: Um sanduíche de mortadela e um refrigerante. Ahh mas o sanduíche para ter um sabor especial era necessário que o Carlinhos (filho do Lula) antes de servir o cliente abrisse o pão e dava uma cheirada básica no seu conteúdo. Alguns recusavam o produto. Outros viraram o rosto. Eu estava no segundo time. Afinal a fome era grande e o bicho era gostoso, além de barato.

O Carlinhos um sujeito alto, magro e barbudo e tinha por hábito falar duas coisas: Uma chamava a todos de amiguinho. E quando algo era muito engraçado para ele tudo era uma cachorrada americana.

Algo que também marcou a Rua 13 de Maio no inicio dos anos 70 onde mais ou menos hoje em dia fica e Escola Natércia Serpa havia uma oficina/borracharia e numa árvore que tinha por lá havia um sagüi chamado Jacó geralmente ele ficava amarrado. Afinal não havia ainda nem o Ibama e nem preocupação com maus-tratos a animais, no entanto às vezes o danado do Jacó fugia e se danava a entrar nas casas da vila a procura de comida e a sua preferida era ovos.



Das pessoas que moravam por lá eu lembro de algumas: O César "Pregão" que era filho do Zé Miguel que trabalhava na camisaria durante o dia e à noite por vezes dava uma de bilheteiro no Cine Pedra. Lembro também que das colegas do Ginásio Vicente de Menezes moravam na parte alta da rua a Simone(filha do Nelson Souza) e a Santina(filha do Enoque). E dos colegas de trabalho da fábrica lembro-me de um rapaz negro, forte e um tanto alto para os padrões delmirenses: O Darivan. No final da rua numa casa que não era no estilo tradicional da Vila Operária morava o Zé Ramos, pai da Mírian que tanto já colaborou com os blogs anteriores. Desde 1972 a sua familia foi para São Paulo(SP).


Mas minhas melhores lembranças são dos trabalhos escolares em equipe. Na casa vizinha (não lembro se era exatamente a vizinha)ao bar do Lula Braga ficava o Hotel de D. Das Graças. E sua neta Rosane Albuquerque era nossa colega de turma. Então durante a noite ela nos deixava ficar estudando(conversando mais que estudando) e fazendo as tarefas. Por lá também ocorria os ensaios das famosas peças teatrais que a professora Noélia(História) nos passava como forma de obter pontos extras. Sempre era algum evento histórico que tinha que ser representado. Quem dirigia as peças era a Patrícia "Pedrão" Oliveira. Geralmente os participantes destes trabalhos eram além da Patrícia e da Rosane, eu, Edson"Borracha", Edmo Cavalcante, Danúbio e Murilo Oliveira e as citadas anteriormente Simone e Santina. Dá uma tremenda saudade falar nisto.


Agora é com vocês.

Quais suas lembranças destes limites geográficos no espaço urbano delmirense? Quais as pessoas conhecidas suas moravam por ali? Lembra de todas elas? Vizinhos e amigos? Que outros estabelecimentos fora os citados já estiveram por ali?
Encontro da Antiga Praça Vicente de Menezes com a 13 de maio. Vê-se parte da escola Natércia Serpa. Próximo desta árvore ficava amarrado o famoso macaco Jacó.
Vista em 2004.
A mesma vista nos idos de 1914.

Clube Vicente de Menezes


Lateral do Bar do Lula Braga com vista parcial do Clube Vicente de Menezes


Bar do Lula Braga(nov 2008)


Vista da"parte baixa" da rua em 2004)


Aqui se vê originalmente a rua em sua extensão total por volta de 1914. No canto esquerdo nota-se o chafariz público que então abastecia a cidade. Só havia água encanada para as casas da Vila.


Inicio dos anos 70: Ainda lembro da 13 de Maio da forma que a gravura representa(exceto as árvores)Imagem do site do Diário do Nordeste em seu Caderno de Cultura da edição de 14/04/2007)

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Reminiscências da Rua do ABC(por Paulo da Cruz)

Dentro da série "resgate e customização" (palavrinha da moda) reeditamos os textos postados nos blogs anteriores. Hoje trazemos o texto do Paulo da Cruz, agora acrescidos com imagens enviadas pelo Eduardo Menezes.

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Hoje o texto é longo. Mas vale a pena ler até o fim. O nosso colaborador teve um trabalho imenso em puxar tanto por sua memória fenomenal. Enfim temos um completo mapeamento histórico das origens da Rua do ABC. Do seu povo. Da sua gente. Dos seus costumes e dos acontecimentos que marcaram de forma indelével a vida de um garoto. E que hoje presta a sua homenagem a tantos nomes do passado e alguns ainda bem presentes no cotidiano da cidade de Delmiro Gouveia.(a Macondo sertaneja)


REMINISCÊNCIAS DA RUA DO ABC
Texto de Paulo da Cruz.

Não sei se esse texto vai interessar a quem não morou na Rua do ABC. Talvez não interesse nem aos que por lá residiram, cresceram e fizeram amizades de infância.

DG tem algumas ruas que eram muito conhecidas, talvez por estarem localizadas em locais estratégicos. Posso citar algumas delas e creio que hoje deve ter muito mais ruas que servem como referência. Quando residi em DG as ruas que eu ouvia falar mais os seus nomes eram: ABC (eu morava na rua continuação), Carlos Lacerda (depois mudou o nome para Castelo Branco), Delmiro Gouveia, 7 de Setembro, 13 de Maio e Freitas Cavalcante. Provavelmente, dado que eu já era adolescente, tinha alguma garota atraindo a minha atenção ou de algum amigo meu. A Rua do ABC, objeto deste texto, tinha quando eu por lá cheguei, em 1956, tinha limites já definidos.

A rua começa junto ao desvio onde o trem fazia manobra (hoje no local tem um bar de rua, quase em frente ao Banco do Brasil) e ia até uma cerca de arame farpado junto a vários pés de uma planta conhecida como labirinto. Por sinal essa planta tinha uma seiva leitosa que diziam que cegava. Talvez mais uma lenda urbana. No início da Rua do ABC ficavam a residência do Dr. Ulisses Luna e a Mercearia de Condillac (Conde). A rua quebrava, no seu lado direito, entre as casas do Seu Zeca Norberto e Zé Elias. O beco que essa quebra provocava me deixa uma dúvida quanto ao seu nome: é beco de Zé Elias/Zeca Norberto ou de Luiz Xavier. Esse beco por sinal tem muitas histórias. Não lembro que ele tivesse iluminação própria, acho que pegava os resquícios da luminosidade das ruas que se comunicavam através dele.

Por esse beco regressavam, às suas casas, as garotas que estudavam no ginásio e residiam na Rua do ABC. Eram as famosas meninas da Rua do ABC. Não sei porque, mas elas só regressavam em bando. Acho que tinham medo de alguma alma penada que já estivesse assinando o ponto antes da meia-noite. Mais adiante, agora pelo lado esquerdo, tinha o Beco de Zé Panta. Zé Panta Godoy, segundo contam, foi quem matou Maria Bonita, ou Lampião, não sei ao certo. Esse beco levava à Rua do Correio. Essa rua evidentemente tem nome. Eu não lembro. Ouvia as pessoas se referirem a ela assim.

Continuando a subir a rua chegava-se a dois becos um após a casa do Seu Agenor Norberto (depois foi o Hotel de Dona DasGraças), pelo lado direito, iniciando a Rua da Travessa, e o outro, pelo lado esquerdo, que dava para o curral ou matadouro municipal. Era matadouro mesmo. Não sei como a população conseguia consumir carne e não se contaminar, dadas as péssimas condições de higiene do local. Aliás, não existia higiene nenhuma. Só para ilustrar após o famoso curral tinha dois cercados, o de Seu Agenor e o de Jaime. O de Jaime tinha uma pequena represa onde alguns tomavam banho. Lembro que lá tinha um barro muito bom para fazer balas para usar com o estilingue (era chamada também de peteca).

Voltando a Rua do ABC. O beco ficava entre as casas de Pepeda (alguém lembra dele) e de Dona Leobina (uma senhora residente no Sinimbu que costumava alugar essa casa). Vizinha a casa de Pepeda ficava a Mercearia de Dona Rita, esposa do Seu Zé Leite, já citado aqui no blog quando foi contada a história da Botija. Essa era a parte nobre da Rua do ABC, onde moravam as pessoas de maior poder aquisitivo.

Vou tentar relembrar alguns moradores ilustres e com certeza vou cometer injustiça esquecendo alguns. Dr. Ulisses Luna, pai de Delmiro e Solange (médico, fazendeiro e ex-prefeito), Dona Maria Clementina (viúva do Cel Ulisses, o homem que deu guarida a Delmiro Gouveia quando ele chegou ao sertão das Alagoas), Seu Enoque, pai de Nelson, Elias (agente do IBGE), Maninho (proprietário do bar famoso), Mireta (irmã de Maninho), Dona Julia Santana (costureira), Seu Lino, pai de Zé de Lino (fazendeiro), Seu ... Santana (artesão do ramo de couro), Seu Antônio Nezinho, avô de Aline (comerciante), Seu Zé Panta, pai de Cilinho (ramo de transportes), Seu Antônio Exalto (comerciante), Lula Braga, pai de Carlinhos (alfaiate e proprietário de bar), Seu Joãozinho de Maroca, pai de Tôtô e vários outros colegas (ramo de transportes), Seu Agenor Norberto, pai de Kleber (funcionário destacado do fábrica), Seu Zé Leite, avô de Toinho de Cacilda (comerciante), Jaime (criador de gado de leite), Benedito Freire, pai de Gedalvo, Paulo, Rui e tantos outros (comerciante e ex-vereador), Seu Heleno, pai de Tom Mix e vários outros (dono de marcenaria), Seu Zé Alves, pai de Eraldo e Gilda (comerciante), Seu José Lima (fazendeiro - antes a casa foi de propriedade do Seu Gaudêncio Lisboa, ex-prefeito), Seu João Liberato (comerciante), Seu Davizinho, pai de Luiz (comerciante), Eurico, pai de Euriquinho e Zezinho (protético), João Enfermeiro, pai de Paulo, Zé Hilton, João Fernando e muitos outros (protético), Seu Zé Craibeiro, pai de Givaldo e Assis (comerciante), Zé Elias, pai de Paulo (barbeiro), Zé Norberto, pai de Lucy, Seu Manoel Vigário, pai de Maciel (comerciante no Pariconha, acho que um de seus filhos é o atual prefeito de lá), Seu George Lisboa, pai de Bezo, Osmar e tantos outros (funcionário da rede ferroviária) e Condillac, o Seu Conde, pai de Linda.

Essas pessoas ajudaram a fazer a história de DG, durante várias décadas, como as pessoas residentes em outras ruas também o fizeram. Elas poderiam ser nominadas por outros freqüentadores do blog e que residiram nessas ruas. Acho que é uma maneira de relembrarmos o passado. Todas essas pessoas que eu consegui citar tiveram, em algum momento, direta ou indiretamente, importância na minha vida, seja comerciando, transportando ou simplesmente me dando atenção e conversando comigo.

Até hoje eu não sei a origem do nome da rua, talvez devido ao número de professoras que lá residiram e escolas particulares que foram por lá sediadas.

Eu morei na continuação da Rua do ABC, que depois passou a ser independente da Rua da Independência (o novo nome da Rua do ABC) com o nome de Rua Pe. Anchieta, logo após o beco, vizinho a casa de Dona Leobina. Hoje o beco deu lugar a uma escola e a casa onde residiu Pepeda foi demolida e virou beco.

Na rua a criançada cresceu jogando bola, castanha de caju, bolinha de gude, pião, peteca, empinando papagaio, pegando borboletas (lembra disso Eraldo), passarinhando no mato (atrás do Cemitério, ou no cercado de Jaime) e fazendo corridas de caminhão construídos com restos de madeira obtidos na marcenaria de Seu Cícero de Duca que ficava na Rua da Travessa. O interessante em Seu Cícero, pai de uma numerosa prole, era o sistema de assovio que ele usava para chamar cada um dos seus filhos. Cada um tinha um assovio próprio.

Um fato interessante da Rua do ABC. Tôtô até já fez um comentário a respeito. Foi a primeira rua a ter televisão em DG. Um determinado dia, em uma das casas que ficavam entre a casa de Tôtô e a casa de Zé Panta chegou um novo morador. Ele era proprietário de um caminhão que fazia viagens pra São Paulo e resolveu comprar um aparelho de televisão. Comprou e instalou uma antena que devia ter mais de 15 metros de altura e direcionou para onde ele achava que era Recife. Com a tecnologia daquela época a única coisa possível de se pegar era chuvisco. A CHESF ainda não tinha instalado as torres repetidoras que depois fariam o link entre Recife e Paulo Afonso. Mesmo assim a meninada ficava na janela olhando aqueles chuviscos e imaginando ver alguma imagem. A Rua do ABC (prefiro chamá-la assim), era dividida por um canteiro onde foram plantados pés de algaroba e castanhola. Entre a casa de Dr. Ulisses e de Seu George Lisboa tinha dois ou três pés de ficus (chamávamos de figo), ainda jovens se comparados aos frondosos que ficavam em frente à Casa de Saúde. Nas noites quentes de verão ficávamos aproveitando uma brisa e até aparecia vez por outra um violão para despertar algum cantor adormecido. Ao que me consta Kleber era o único na rua que tinha um violão, além de Lula Braga é claro, porém esse era um instrumento semi-profissional, marca Del Vecchio. Carlinhos as vezes dava uma fugida com ele e aí tirávamos uma palhinha.

Agora lembrei, também morou na Rua do ABC o Seu Antonio Panta, pai de Nildo Pantaleão (acho que é tio-avô de Aline). Nildo passou um tempo em São Paulo e voltou cantor. Lembro de algumas serestas que ele e Kleber fizeram.

Enfim essas são algumas das lembranças que eu tenho. Gostaria de encontrar por aqui relatos de pessoas que residiram em outras ruas. Não precisa ser texto literário (esse não é). Apenas conversa pra ser jogada fora, do tipo: você lembra de fulano, que morou na rua tal e era pai de sicrano? Tens notícias desse povo? Sabe o que aconteceu com eles?